Acabei percebendo que nenhum texto ou post sobre o ano passado foi escrito e acabei decidindo por tentar escrevê-lo. Mesmo sabendo que nada do que eu disser será suficientemente bonito, horrível ou intenso para descrever tudo o que passei. Não custa tentar, acho que preciso disso para deixar todas as coisas ruins dele para trás e para guardar na memória todas as boas. Vamos lá.
2008.

Ano que começou com brigas em família, com picuinhas e com problemas, acabou se desenrolando em dívidas e mais problemas. Ano que ganhou para si milhares de planos e sonhos da minha admirável imaginação, mas que acabou fracassando em todos eles, as viagens não foram feitas, as aulas de canto não foram assistidas, o vestibular não foi como eu gostaria, nem o namoro se livrou desse ano de terríveis decepções. Tornei-me, por diversas, inúmeras eu diria, vezes alguém que mal conseguia reconhecer, alguém que eu detestava e cujas atitudes eram repugnantes, acabei quase perdendo as coisas mais importantes da minha vida atual por isso. Em contraposto ganhei novos amigos, novos excelentes amigos, e fortaleci as antigas amizades. Descobri nesse ano o verdadeiro significado de dois indivíduos se considerarem irmãos, mesmo tendo nascido em famílias diferentes. Tive provas de que as verdadeiras amizades não enfraquecem com as distâncias, com a falta de contato, com o tempo, alguém me provou que essas amizades sempre se fortalecem, com circunstâncias ruins ou boas, tudo serve para aumentá-las e dar-lhes forças. Percebi o quanto sentia falta de conversar com alguém até perder a noção do tempo. Percebi quão bom é ter alguém para conversar sobre o que você quiser, sem medo de ser criticada ou de acabar ganhando conselhos absolutamente sem sentido. Vi que você pode sim, levar anos para construir uma amizade, mas que algumas simplesmente caem de para-quedas na sua vida, e como é bom ser surpreendido por elas. Acabei descobrindo que algumas pessoas eram muito mais parecidas comigo do que eu jamais imaginaria, e que eu poderia contar com elas, mesmo que não exista aquela amizade na qual as vidas são livros totalmente abertos e sem segredos, descobri que se realmente precisasse elas estariam ali, do meu lado, sempre, do mesmo jeito que eu também sempre estarei.
Minha família enfraqueceu e acabou se fortalecendo mais do que nunca. Acabei descobrindo que depois de passar por tempos realmente difíceis juntos, as pessoas tendem a confiar e a se entregar mais umas às outras.
Meu namoro acabou tendo mais baixos do que altos, por culpa de ambos, mas talvez mais por minha culpa. Acabei fazendo coisas que sempre achei estúpidas demais para serem feitas, fui impulsiva demais quando precisava parar e pensar e impulsiva de menos quando tudo o que precisava ser feito era agir. Magoei e fui magoada, deixei meus medos e minhas inseguranças tomarem conta de mim e deixei de confiar absolutamente em alguém que nunca tinha me dado motivos para fazê-lo. Seria até hipócrita da minha parte dizer que não me arrependi, porque me arrependi e muito. Chorei até dormir de cansaço por várias noites e me corroí por dentro, mas sei que ao passar por tudo isso fiquei mais forte e talvez mais madura para encarar certas coisas. E acabei ganhando um segunda chance, nós ganhamos uma segunda chance.
Fui surpreendida por várias vezes e pude sentir aquela coisa inexplicável, que simplesmente tomava conta de mim, e maravilhosa de quando você percebe que alguém se lembrou de você e se deu ao trabalho de te surpreender só para ver sua cara de espanto, seu sorriso bobo e suas lágrimas de gratidão. Redescobri o quanto um abraço de verdade conforta, e que uma tarde sem fazer absolutamente nada, uma tarde em silêncio com um amigo de verdade pode ser simplesmente a melhor tarde.
Descobri que churrascos não necessariamente precisam ter música ruim, e que você faz suas próprias festas, do jeito que desejar. Descobri que um violão e amigos me atrai muito mais do que bebidas e futilidades. Redescobri a importância da música na minha vida. Sinceramente, foi ela que me deu forças em todos os segundos do meu ano.
Em 2008 eu ri, chorei de felicidade e de tristeza e até de desespero, caí milhares de vezes mas em todas elas fui capaz de me reerguer, e sempre que precisava de uma mãozinha alguma daquelas pessoas estavam lá para me ajudar. Cantei, dancei e fiz idiotices (inúmeras). Tomei chuva e percebi que ela realmente me fazia bem, que ela literalmente me lavava a alma. Fui forte e fraca, me iludi e me decepcionei. Surpreendi-me com alguns, e previ outros. Fui inexplicável e previsível, fui intensa e sem graça. Fui amiga, irmã.
2008 foi provavelmente o ano mais intenso de todos os meus quase 19 anos, foi o pior deles sem dúvida, o mais difícil, o mais exaustivo e o mais irritante, mas também foi o mais surpreendente, o mais verdadeiro e sincero.
Mas sem dúvida nenhuma as duas coisas mais importantes nele são as que aprendi e que espero nunca esquecer:
Primeiro, que os amigos são realmente sua segunda família, e que se você tiver uns poucos e bons você não precisa de mais nada para seguir em frente. E modéstia a parte descobri que os meus sãos os melhores de todo o universo (porque o mundo é simplesmente pequeno e vazio demais para ser usado como parâmetro).
E segundo, acabei percebendo que quem cai com mais facilidade não é mais fraco ou menos determinado do que os que demoram a cair, talvez, os que caem com facilidade sejam até mais fortes, porque eles precisam se reerguer com mais freqüência, e com certeza é preciso mais força para levantar do chão do que para se manter em pé.
Por fim e atrasado só queria agradecer aos citados no post (cada um deles sabe que parte lhes foi dedicada) por tudo. Até pelos momentos ruins. Vocês fizeram parte de um dos anos mais inesquecíveis da minha vida, e todos, sem exceção me proporcionaram os bons momentos dele, os que eu quero guardar senão na memória, em palavras para sempre. Muito Obrigada.