Always

O medo preenchia todo o seu corpo. Tudo havia mudado, e as certezas já não existiam. Até a sua oitava série sempre havia o próximo ano. Até o seu terceiro ano sempre havia o próximo. No terceiro, havia o estágio, e agora? Este estava pré-arranjado, faculdade, trabalho, mas e depois?
Ele estava vendo a pessoa mais importante do mundo ir embora e sentia-se feliz por ela, era seu sonho, mas sentia-se triste também, por não poder compartilhá-lo. As inseguranças voltaram, e todas as besteiras ditas e feitas que chegaram a magoá-la um mínimo que fosse foram lembradas e remoídas por ele. Sentia que se nada daquilo tivesse acontecido não precisaria ter medo, mas sabia que isso não era verdade.
Nessas horas queria ser confiante, quase arrogante, a ponto de achar que não existia pessoa melhor no mundo, mas não era assim. Ele sabia que estava longe de ser um dos melhores, muito longe e isso só fazia seu medo crescer, porque ela era A melhor.
As idéias se confundiam e no fim das contas ele não conseguia chegar a conclusão nenhuma, só continuava com aquele maldito medo que não o deixava em paz. Queria esquartejá-lo e mandá-lo para outra galáxia, e mesmo quando o fazia, o medo voltava.
Descobriu por fim que ele sempre estaria ali, que teria que aprender a conviver com ele, e a confiar, plenamente e cegamente, senão as coisas não funcionariam. Tentaria, com todas as suas forças, porque era uma das coisas pelas quais mais valia lutar. E sabia que dessa vez, não lutaria sozinho, de agora em diante, sempre estariam juntos. SEMPRE.

Unicamp 2009

A ansiedade foi crescendo e crescendo e a cada vez que atualizava a página seu coração batia mais forte, mais desesperado por uma resposta. O tempo não passava, o trabalho simplesmente não rendia, ela só queria a resposta, fosse boa ou ruim, o que não agüentava mais era permanecer em dúvida. E de repente os tão esperados espaços de busca apareceram e foi aí que ela sentiu que seu coração sairia pela boca, de tão desesperado que estava. Digitou seu nome e clicou para ver o resultado. E lá estava, "CIÊNCIAS SOCIAIS - NOTURNO -- CONVOCADO", e ela sentiu o mundo saindo de suas costas, sentiu que flutuava, ou andava nas nuvens. Aquela palavra piscando enchia seus olhos , aquela palavra gerava uma vontade imensa de gritar e sair pulando de felicidade. Mas depois de um tempo, depois que a euforia inicial passou, o coração apertou e os olhos desfocaram. Ela havia conseguido o que muitos matariam para ter, ela havia entrado em uma das melhores faculdades, mas não conseguia se sentir plenamente feliz. Sentiu-se incapaz e fraca, teve vontade de gritar novamente, mas dessa vez gritar de raiva, porque seu sonho estava fora do alcance de suas mãos por mais um ano, sentiu-se presa e fraca, chorou por horas e horas. Mas depois do desespero inicial, a felicidade voltou e percebeu que havia conseguido muito, dentro das circunstâncias, muito mais do que a grande maioria dos outros, percebeu que mesmo depois de todos os problemas e de todas as dores de cabeça era melhor do que muitos, inúmeros, e seu segundo lugar no vestibular de Ciências Sociais a fez sorrir de novo. Não era exatamente o que ela queria, mas era muito melhor do que esperava. E apesar do medo, decidiu que se jogaria de cabeça nesse mundo totalmente desconhecido, e que se esforçaria como nunca antes para no ano que vem, ter que passar por tudo de novo, dessa vez, no lugar dos seus sonhos.

2008


Acabei percebendo que nenhum texto ou post sobre o ano passado foi escrito e acabei decidindo por tentar escrevê-lo. Mesmo sabendo que nada do que eu disser será suficientemente bonito, horrível ou intenso para descrever tudo o que passei. Não custa tentar, acho que preciso disso para deixar todas as coisas ruins dele para trás e para guardar na memória todas as boas. Vamos lá.

2008. 
Ano que começou com brigas em família, com picuinhas e com problemas, acabou se desenrolando em dívidas e mais problemas. Ano que ganhou para si milhares de planos e sonhos da minha admirável imaginação, mas que acabou fracassando em todos eles, as viagens não foram feitas, as aulas de canto não foram assistidas, o vestibular não foi como eu gostaria, nem o namoro se livrou desse ano de terríveis decepções. Tornei-me, por diversas, inúmeras eu diria, vezes alguém que mal conseguia reconhecer, alguém que eu detestava e cujas atitudes eram repugnantes, acabei quase perdendo as coisas mais importantes da minha vida atual por isso. Em contraposto ganhei novos amigos, novos excelentes amigos, e fortaleci as antigas amizades. Descobri nesse ano o verdadeiro significado de dois indivíduos se considerarem irmãos, mesmo tendo nascido em famílias diferentes. Tive provas de que as verdadeiras amizades não enfraquecem com as distâncias, com a falta de contato, com o tempo, alguém me provou que essas amizades sempre se fortalecem, com circunstâncias ruins ou boas, tudo serve para aumentá-las e dar-lhes forças. Percebi o quanto sentia falta de conversar com alguém até perder a noção do tempo. Percebi quão bom é ter alguém para conversar sobre o que você quiser, sem medo de ser criticada ou de acabar ganhando conselhos absolutamente sem sentido. Vi que você pode sim, levar anos para construir uma amizade, mas que algumas simplesmente caem de para-quedas na sua vida, e como é bom ser surpreendido por elas. Acabei descobrindo que algumas pessoas eram muito mais parecidas comigo do que eu jamais imaginaria, e que eu poderia contar com elas, mesmo que não exista aquela amizade na qual as vidas são livros totalmente abertos e sem segredos, descobri que se realmente precisasse elas estariam ali, do meu lado, sempre, do mesmo jeito que eu também sempre estarei.
Minha família enfraqueceu e acabou se fortalecendo mais do que nunca. Acabei descobrindo que depois de passar por tempos realmente difíceis juntos, as pessoas tendem a confiar e a se entregar mais umas às outras.
Meu namoro acabou tendo mais baixos do que altos, por culpa de ambos, mas talvez mais por minha culpa. Acabei fazendo coisas que sempre achei estúpidas demais para serem feitas, fui impulsiva demais quando precisava parar e pensar e impulsiva de menos quando tudo o que precisava ser feito era agir. Magoei e fui magoada, deixei meus medos e minhas inseguranças tomarem conta de mim e deixei de confiar absolutamente em alguém que nunca tinha me dado motivos para fazê-lo. Seria até hipócrita da minha parte dizer que não me arrependi, porque me arrependi e muito. Chorei até dormir de cansaço por várias noites e me corroí por dentro, mas sei que ao passar por tudo isso fiquei mais forte e talvez mais madura para encarar certas coisas. E acabei ganhando um segunda chance, nós ganhamos uma segunda chance.
Fui surpreendida por várias vezes e pude sentir aquela coisa inexplicável, que simplesmente tomava conta de mim, e maravilhosa de quando você percebe que alguém se lembrou de você e se deu ao trabalho de te surpreender só para ver sua cara de espanto, seu sorriso bobo e suas lágrimas de gratidão. Redescobri o quanto um abraço de verdade conforta, e que uma tarde sem fazer absolutamente nada, uma tarde em silêncio com um amigo de verdade pode ser simplesmente a melhor tarde.
Descobri que churrascos não necessariamente precisam ter música ruim, e que você faz suas próprias festas, do jeito que desejar. Descobri que um violão e amigos me atrai muito mais do que bebidas e futilidades. Redescobri a importância da música na minha vida. Sinceramente, foi ela que me deu forças em todos os segundos do meu ano.
Em 2008 eu ri, chorei de felicidade e de tristeza e até de desespero, caí milhares de vezes mas  em todas elas fui capaz de me reerguer, e sempre que precisava de uma mãozinha alguma daquelas pessoas estavam lá para me ajudar. Cantei, dancei e fiz idiotices (inúmeras). Tomei chuva e percebi que ela realmente me fazia bem, que ela literalmente me lavava a alma. Fui forte e fraca, me iludi e me decepcionei. Surpreendi-me com alguns, e previ outros. Fui inexplicável e previsível, fui intensa e sem graça. Fui amiga, irmã.
2008 foi provavelmente o ano mais intenso de todos os meus quase 19 anos, foi o pior deles sem dúvida, o mais difícil, o mais exaustivo e o mais irritante, mas também foi o mais surpreendente, o mais verdadeiro e sincero.
Mas sem dúvida nenhuma as duas coisas mais importantes nele são as que aprendi e que espero nunca esquecer:
Primeiro, que os amigos são realmente sua segunda família, e que se você tiver uns poucos e bons você não precisa de mais nada para seguir em frente. E modéstia a parte descobri que os meus sãos os melhores de todo o universo (porque o mundo é simplesmente pequeno e vazio demais para ser usado como parâmetro).
E segundo, acabei percebendo que quem cai com mais facilidade não é mais fraco ou menos determinado do que os que demoram a cair, talvez, os que caem com facilidade sejam até mais fortes, porque eles precisam se reerguer com mais freqüência, e com certeza é preciso mais força para levantar do chão do que para se manter em pé.

Por fim e atrasado só queria agradecer aos citados no post (cada um deles sabe que parte lhes foi dedicada) por tudo. Até pelos momentos ruins. Vocês fizeram parte de um dos anos mais inesquecíveis da minha vida, e todos, sem exceção me proporcionaram os bons momentos dele, os que eu quero guardar senão na memória, em palavras para sempre. Muito Obrigada.

Dia Nublado

O dia estava exatamente como o espírito dele. Cinza, completamente nublado e chuvoso. Cinza e nublado porque as esperanças se esvaíam junto com o vento gelado, e chuvoso porque lágrimas caíam de sua alma sem parar. Havia perdido uma das coisas mais preciosas para ele, e sabia que grande parte da culpa era sua. Talvez por não ter tentado, talvez por não o ter feito suficientemente, talvez por simplesmente não ter conseguido, mas a culpa continuava sendo sua, e isso o corroía. Queria voltar atrás e fazer tudo diferente, mas agora já era tarde demais, sentia seu coração se dividindo em dois e usava toda a sua força para tentar mantê-lo único, mas era impossível. Precisava dela. Tinha certeza absoluta de que era um erro ficarem separados, mas também sabia que não ficariam juntos, por escolha dela, não ficariam juntos, e isso machucava como nada conseguia machucar. Ele não valia a pena para ela, e ela era uma das únicas coisas que valia a pena para ele.

As palavras

E ela se sentou com caderno e caneta em mãos, sentou e esperou que alguma idéia aparecesse, mas aparentemente aquele não era um dia bom para as benditas idéias. Da ponta de sua caneta, não saíam  mais do que palavras sem sentido, e ela não conseguia fazer com que as palavras formassem frases, e quando conseguia as frases, os parágrafos eram interrompidos pela metade. Tudo isso que no fim acabou rabiscado e amassado no chão em sua volta. Ela queria escrever para esquecer das coisas, queria escrever para provocar reações, queria escrever para desabafar e nada lhe ocorria. A única coisa em que conseguia se concentrar era na falta que sentiria dele, falta essa que só aumentaria e aumentaria com o passar do tempo, e que talvez um dia amenizasse, mas sempre estaria lá para atormentá-la. E assim ela acabou descobrindo, que o motivo pelo qual não conseguia escrever era que as palavras não eram boas o suficiente para expressar tudo o que estava sentindo, seu significado não era forte o bastante, e nunca seria. Foi nesse dia que ela descobriu que as suas melhores amigas não poderiam ajudá-la sempre que precisasse, às vezes elas simplesmente não saberiam o que dizer, mas que sempre estariam lá, tentando o seu máximo para descrever suas emoções e expô-las aos outros, mas nem sempre fariam isso com perfeição. Foi nesse dia que ela percebeu que nem as suas tão adoradas palavras eram perfeitas, do jeito que ela sempre imaginou.


//Brighter - Paramore

Música

Ele andava pela rua com seus fones de ouvido, como sempre, sem ouvir nada ao seu redor, só sentindo a vibração de cada nota, de cada timbre que magicamente se encaixavam e faziam aqueles sons maravilhosos. Arrepiava-se a cada nota, sentia o coração acelerar a cada batida, e a acalmar a cada parada. Os versos enchiam seus olhos de lágrimas, era impressionante como o entendiam, mesmo sem saber quem ele era.
Mais impressionante ainda era que as músicas, mesmo sendo escolhidas aleatoriamente sempre se encaixavam com o que sentia no momento. E ele não cansava de se surpreender com a astúcia do seu querido iPod.
Todos que o viam na rua pensavam que era maluco, ou no mínimo, estranho. Ele cantava e dançava ao som de suas músicas preferidas, sem nem perceber que o estavam observando. Só conseguia perceber a música, que entrava pelos seus ouvidos e o completava, preenchendo todos os vazios de seu corpo. Era daquilo que ele precisava. Mais uma vez a música o completava, só ela era capaz de fazê-lo completamente.

Decisão tomada


Ela permanecia de olhos fechados, pensava na difícil decisão que precisava tomar sem conseguir optar por nenhuma das opções. De repente uma repentina vontade de abrir os olhos e ver aquela encruzilhada ali na sua frente novamente encheu todo o seu corpo, e mesmo achando uma idéia absurda, completamente sem propósito, ela o fez e eis que a decisão já havia sido tomada.
A tal encruzilhada havia desaparecido completamente, os dois caminhos haviam se fundido em um e naquele instante ela se viu sem outra opção a não ser a que tinham pré-determinado para ela. Achou injusto, se sentiu sem poder sob a sua própria vida, se sentiu manipulada, mas agora já não havia mais outro caminho a seguir.
Foi por ele que continuou a caminhar, sem idéia de onde a levaria e inconformada com o fato de que, se houvessem pedras ou buracos nele, ela teria sido obrigada a ultrapassá-los, mas continuou e continuou.
Não adiantava se lamentar, não adiantava chorar ou desejar que fosse de outra forma. Agora teria que ser por ali e por ali seria. Ao menos ela sabia que algumas pessoas sempre estariam ali, caminhando ao seu lado.