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Sonhos

Ele estava sentado em frente ao computador pensando sobre algo para escrever. Pensava em seu futuro, pensava nas ideias e da forma engraçada como elas pareciam se encaminhar. Havia descoberto alguns meses atrás uma paixão, além da música, já tão conhecida por todos. Descobrira durante uma aula da disciplina mais entediante que já havia feito naquela universidade algo que considerava essencial, fundamental, primordial, algo em que, se ele conseguisse fazer diferença, mudaria o mundo, talvez não em uma escala gigantesca, mas qualquer escala estava bom.
Essa paixão era a educação. Não, não queria se tornar professor, ou continuar agente de educação infantil para o resto da vida. Pode até ser que fosse prepotência, mas achava que seu potencial ia muito além. Queria reformar o sistema, destruir as prenoções e construir um modelo completamente novo. Queria estimular a criatividade, inserir a cultura no cronograma escolar, e incutir nas mentes de todo o mundo que a educação era o que existia de mais valioso.
Não, a educação que tinha em mente não era ensinar quanto é 2 + 2 ou obrigar a ler machado de assis com 14 anos. A educação que tinha em mente era completa, espontânea, mas ainda não havia achado as palavras para descrevê-la, era, no mais ver, utópica, completamente utópica. Mas afinal, se não se lutar sempre pela utopia, nunca chegaremos sequer perto dela. Acreditava que o melhor era sonhar grande. Sonhos em escala pequena eram objetivos em sua cabeça sem nexo. Sonhos de verdade são aqueles que parecem tão longe de serem realizados que você mal os enxerga no horizonte. Sonhos são aqueles que nos ensinam a ter esperança de que vai dar certo, nos ensinam a ser persistentes, a não desistir. Eles chegavam algum dia através das conquistas dos tais objetivos. Mas a palavra sonho, em sua cabeça remetia a algo gigantesco.
Não sabia se as ideias iriam funcionar, se o modelo iria se encaixar, se o sonho se aproximaria um passo. Só sabia que tinha que tentar. Talvez não conseguisse reconstruir o sistema educacional do país, mas tinha que tentar, era esse seu sonho (um dos), e era por esse que estudava, que se empenhava, que demorava 4 horas para escrever 10 linhas. E mesmo que tudo desmoronasse em algum ponto, uma coisa era certa: nunca deixaria de sonhar, a sua parcela criança não deixaria.

Saudades

Essas são provavelmente as palavras mais difíceis que já escrevi. Gostaria de nunca ter que retirá-las do pensamento, pois significaria que não tinham se tornado realidade.
Aquela semana foi a pior de todas as semanas dos meus míseros 20 anos. Ver você daquele jeito, não ter certeza se iria voltar ou se iria ficar bem, a espera pelo toque do telefone, o medo das más notícias. Meus piores medos estavam se tornando realidade e eu não conseguia fazer absolutamente nada para detê-los. Até a sexta-feira, a demora, a desconfiança de que havia algo de errado, até o telefonema, aquele telefonema que acabou com o meu ano, a imagem dela, sempre tão forte, chorando e tendo que nos dizer que tinha acabado, que você tinha ido para sempre e sentir as lágrimas enchendo meus olhos, mesmo eu tentando permanecer forte.
E o dia seguinte foi ainda pior, ter que aparecer naquele lugar, dessa vez sem você me dizendo que tudo ia ficar bem, sem você para me abraçar e para transmitir aquela sensação de paz. Foi aí que entrei naquela sala e o vi, imóvel, mas sorrindo. Aquele sorriso foi a coisa mais linda que já presenciei, e você, mesmo não estando lá de corpo presente, apareceu sorrindo para nos confortar, cuidando e se importando como sempre.
Hoje eu sinto que deveria ter te abraçado mais e te dito mais vezes que te amava, e sua falta é maior do que eu consigo expressar em palavras, muito maior, mas queria que o mundo soubesse do tremendo pai que você foi e para mim ainda é, você era aquele que consolava, que defendia, que conversava ao invés de gritar, aquele que eu espero de coração, eu consiga fazer ter orgulho de mim, seja lá onde estiver. Você sempre foi e vai continuar sendo para sempre o MEU HERÓI!
Só queria poder te dizer isso.

Desmoronando

De repente bateu um sopro e o seu tão precioso castelo de cartas caiu, aquele mundo colorido e cheio de fadas e criaturas vindas direto dos contos de fadas. Seu refúgio tinha sido completamente destroçado e ela se sentia perdida, completamente sem rumo, sem saber por onde andar para onde olhar, no que pensar. Será que era tão responsável mesmo quanto achava? Será que era tudo aquilo que acreditava que era? Que a fizeram acreditar que era? De repente se sentia a pessoa mais inútil do mundo, se sentia irresponsável, incompetente, imatura, reclamona, mimada, e mais um milhão de outras coisas. Lutava valentemente contra esse sentimento, mas tudo a dizia que estava enganando a si mesma, que tudo era mentira, que tinha se escondido dentro daquela tão adorada bolha, mas nunca mais havia saído de lá. Será que mentira todo esse tempo para si mesma? Começava a acreditar que sim, e aquela sensação de Você consegue que a inflamava há algumas horas atrás desaparecia tão rápido que em segundos a sensação era de que nunca havia existido. A vontade era se enfiar dentro de um buraco e nunca mais sair, mas não podia fazer isso, precisava enfrentar as coisas e mudar. A mudança era grande e difícil, ela só esperava que o apoio permanecesse lá com ela, durante todo o processo e depois dele, porque o que ela mais temia, era perder as poucas pessoas que realmente importavam na sua vida.

Desistindo

De repente as coisas não parecem mais tão simples. Ela se sente cada vez mais deprimida e sem vontade. As leituras não estimulam mais, desesperam. As conversas são os únicos momentos de paz que encontra, nos quais para de pensar por um segundo em tudo o que deveria estar fazendo e não está. Os abraços e cafunés a ajudam tanto que nem é possível descrever em palavras. Ela deveria aprender a pedir ajuda, mas nunca foi muito boa nisso, sempre achou que dava conta de tudo sozinha. Deveria aprender a chamar um amigo de canto e pedir cafuné, colo e consolo. Deveria aprender a aproveitar melhor o pouco tempo que tem junto de quem consegue acalmá-la e definitivamente está lá para fazê-lo se ela pedir. Deveria, deveria, deveria milhões de outras coisas, mas nunca faz. É parte dela ser fechada, não pedir ajuda, não demonstrar como está se sentindo de verdade. É parte dela achar que seus problemas incomodam os outros, que não tem o direito de reclamar quando o outro está se sentindo mal. E por grande sorte encontrou, no meio do seu caminho, "alguéns" que a entendem. Alguém que muda o caminho só pra lhe perguntar se está tudo bem. Alguém que a abraça tão forte que por um segundo parece que tudo sumiu. Alguém que aparece antes de ela conseguir falar que não precisava. Alguém que a escuta e briga com ela todas as vezes que ela precisa. Alguém que traz segurança só de estar por perto. Alguém que a chama de preguiçosa, de gorda e fala que ela dorme demais quando ela realmente está fazendo isso. Alguém que pergunta: a oq? quando ela precisa de uma noite de pura gargalhada. Alguém que aparece depois de meses a fio e finalmente supre aquela necessidade de conversar entre meninas (meninas meio excêntricas, mas meninas do mesmo jeito). Alguém que relembra de histórias velhas e nostálgicas que fazem rir. E é por esses vários alguéns que ela ainda não jogou tudo pro alto e desistiu, e por um alguém em especial, que acredita que ela é muito mais do que ela realmente é, que ela se motiva a fazer sempre melhor e melhor, não importando o quão difícil e desanimador isso vai ser.

Qual é o problema?

Eu ainda me lambuzo comento sorvete e qualquer coisa que envolva coisas semi líquidas. Ainda fantasio antes de dormir sobre contos de fadas e monstros e dragões, ainda sonho em salvar o mundo feito o capitão planeta. Ainda assisto Cavaleiros do Zodíaco e Caverna do Dragão e sonho com o príncipe encantado (que acredito já ter encontrado). Escrevo cartinhas para os amigos dizendo o quão especiais eles são, canto com os Backstreet Boys e as Spice Girls todas as músicas de sucesso. Tenho um certo medo de escuro e sonho com os monstros dos filmes de terror. Até hoje não consigo enxergar a lua minguante, tudo que vejo é o sorriso branco e brilhante do gato de Alice no país das maravilhas. Sonho com livros e torço pelos heróis das fantasias. Canto no chuveiro como se ninguém estivesse ouvindo e converso sozinha no meu quarto. Ainda choro assistindo os desenhos da Disney e qualquer outra coisa que seja um mínimo bonitinha. Tenho caderno de bichinhos e adoro canetas coloridas. Brinco de esconde-esconde e pega-pega no trabalho. Saio com os meus amigos numa quarta feira para jogar bets na Unicamp. Adoro desenhos animados. Gosto de pintar com lápis de cor, giz de cera e canetinha colorida. Até hoje me vejo no espelho como uma criança que cresceu (bem pouco). Ainda sou capaz de entalar no caiaque e dar risada como se fosse a coisa mais divertida que já me aconteceu. Invento histórias na minha cabeça de como tudo ia ser perfeito. Brinco de fazer cosquinhas e de derrubar meu namorado do sofá. Adoro guerra de bexiga d'água e jogar futebol de brincadeira. Amo contos de fadas e livros de fantasias infantis e qual é o grande problema com tudo isso?
Nada disso me impede de ter um relacionamento de 4 anos e meio, de fazer Ciências Sociais na Unicamp e me sentir constantemente mal pelo desastre que o mundo se encontra. Não me impede de ter conversas cultas sobre a origem do universo às 4 horas da manhã, nem de ajudar um amigo que precise de um ombro e uma pessoa que saiba escutar. Não me impede de amar Jane Austen, Dostoiévski e Shakespeare. Não me impede de amar os filmes do Tarantino e os dramas com histórias complexas. Consigo ler notícias sobre política, ciência e atualidades. Leio Marx, Weber, Durkheim, Nietzsche, Gramsci, Hanna Arendt. Assisto filmes "pesados" e de conteúdo reflexivo. Faço ligações entre shakespeare e Aristóteles nas aulas. Sou responsável para trabalhar cuidando da educação de crianças. Nada disso me impede de ser tão adulta quanto todos os outros. A única diferença é que a minha parte criança não morreu e espero sinceramente que nunca o faça.

"When I became a man I put away childish things, including the fear of childishness and the desire to be very grown up"
C. S. Lewis

Vamos parar o tempo?

Ela parecia um gira-gira descontrolado de tão confusa. A cada segundo sentia algo diferente. Ficava feliz por alguém, triste por outro alguém, queria sair correndo e não tinha vontade de se levantar da cama, tinha uma imensa vontade de aprender e uma preguiça maior ainda de ler tudo o que devia estar lendo. Se estava empolgada em um segundo, no seguinte era praticamente uma tartaruga.
Sentia falta dos amigos, acima de qualquer coisa. Queria o cafuné de um, os abraços de outro, as piadas de um terceiro, a massagem de outro, a conversa de meninas com uma das poucas que eram suas amigas. Queria todos juntos no mesmo condomínio de casas se vendo todos os dias. Queria mais festas do pijama com sessão pipoca/sorvete e queria passar mal de tanto comer de novo. Queria mais macarrão ao molho branco, mais risadas, mais barulho e mais vídeos no youtube sobre o Hitler e o vestibular.
Ela queria destruir todos os relógios do universo, parar o tempo naquele instante, com todos eles em volta e só ficar ali, para sempre.

Romances e aventuras

Ela continuava sentada ali, como se nada ao seu redor importasse, aparentemente em outro mundo, sorrindo e chorando e fazendo caretas como se estivesse sentindo dores muito fortes. Quem a observava a achava louca, no mínimo estranha, mas nenhuma daquelas pessoas era capaz de entender o poder que um livro e uma boa história tinham sobre ela.
Eles eram seu refúgio, cada um daqueles punhados de páginas impressas comportava um novo mundo, cheio de emoções novas e aventuras, ou mundos já há tempos conhecidos, que eram como um lugar familiar e aconchegante quando ela se sentia deslocada.
Aquelas palavras enchiam seus olhos de novas pessoas, novas paisagens, novas luas e estrelas, novos pontos de vista e opiniões. Eles eram novas experiências, eram novo conforto, eram conhecimento, coisa que ela apreciava acima de todas as outras.
Fossem aquelas palavras teorias mirabolantes dos mais brilhantes filósofos ou descrições elaboradas de cenários dos maiores romancistas, ou simples palavras, elas sempre haviam sido as melhores amigas, e ela descobria agora (ou redescobria) que não só as palavras não escritas, aquelas que ela podia manejar e organizar como bem entendia para expressar seus sentimentos, mas aquelas palavras já impressas, organizadas por um outro alguém que ela nunca havia visto, aquelas presas entre as capas de um livro, eram suas melhores e mais fiéis amigas.

Momentos

Eis uma coisa que eu acabei percebendo durante esse ano, não existe tal coisa de ano melhor, ano-novo, vida nova, na real, o que existem são momentos, uns melhores, outros piores, mas não passam de momentos. O tal ano melhor ou pior é conseqüência direta da importância dada aos momentos ruins ou bons, a quais permaneceram na memória, porque, parando para pensar, todos os anos são cheios de choros e gargalhadas, o que muda é o como lidamos com eles.
Acho que posso dizer que o tal meu ano foi simplesmente um punhado de momentos bons e ruins, um punhado de gargalhadas com os amigos e outro punhado de lágrimas com uns poucos.
Aprendi muito, mais do que em toda a vida, diria. Fui contaminada por aquele vírus que te faz passar mal constantemente pensando no quão fudido está o nosso mundo e sentir aquela permanente sensação de insatisfação. Nas palavras de um professor que entrevistei durante um trabalho da faculdade, fui uma daquelas alunas que decidiu passar mal o resto da vida, mas com os olhos bem abertos para o seu redor.
A vida pessoal não foi mais fácil de suportar. Solidão, sensação de vazio que me preencheu durante 70% do tempo, mas que quando era eliminada, o era por aqueles tão falados amigos, e de um jeito que fazia com que, anulando todas as regras da matemática, 30% fosse mais, muito mais do que 70%.
O namoro, diria que foi difícil, mas gratificante, apaixonante e, acima de tudo, perfeito. Tudo bem, tiveram lá as suas brigas e as suas decepções, as lágrimas, os gritos tão lamentados depois, mas, se não fosse por cada um desses pequenos momentos, talvez não teria sido tão perfeito, porque, certamente, teria sido menos intenso, e, sinceramente, durante esse punhado de momentos, descobri que, acima de tudo, gosto de intensidade.
Em questão de atitudes próprias, diria que melhorei. Ainda preciso deixar de ser tão estúpida quando estou com raiva, e parar de perder a cabeça com as pessoas que amo, preciso deixar de ser tão preguiçosa e me esforçar mais, preciso ter mais atitude, de certa forma, mas isso não é promessa de ano-novo, é meta de vida.
A minha vida meio que se acertou sozinha nesse ano, e sou eternamente grata por isso. Mas pretendo ajeitá-la com as minhas próprias mãos dessa vez e de uma vez por todas.
Em uma palavra, talvez resumiria tudo em aprendizado, um aprendizado FARAÔNICO, do qual saí cheia de cicatrizes e de feridas, mas do qual não me arrependo por nem um segundo sequer.

Defeitos

E mudando um pouco o padrão, venho escrever em primeira pessoa, especialmente porque essas palavras são de tal importância para melhorar algumas coisas da minha vida e tão difíceis de se dizer em voz alta que seria desonesto e covarde colocá-las em bocas alheias.

Alguém me disse que o grande problema não é domar seus defeitos e sim descobrir onde eles se encontram, e foi daí que comecei a tentar descobrir a origem dos meus maiores defeitos e o resultado, como já se é de imaginar foi desastroso. Mas de fato consegui reunir alguns defeitos que definitivamente preciso melhorar e depois de muito pensar, acabei achando a origem de um deles, que talvez seja o mais problemático no momento, inclusive.
Nessa tal reflexão acabei constatando que sou nervosa e impulsiva demais, acabo descontando coisas nas pessoas erradas e as machucando com isso, descobri que sou absurdamente "mandona" e que às vezes acabo encarnando o papel de superior sem nem perceber, descobri muitas outras coisas, mas a principal, o tal do problema central é que eu sou muito fechada, mesmo que não pareça. Eu acabo não compartilhando meus medos e minhas preocupações, e às vezes nem minhas alegrias com os que são próximos, acabo guardando pra mim mesma e remoendo, o que eu acho que em certo ponto acarreta todos os problemas anteriores.
Agora sobre a origem, vai parecer meio estranho e sem sentido, alguns até acharão arrogante, mas alguns poucos que me conhecem vão perceber o quanto é significativo.
Começando do início, eu tenho uma tendência a prestar atenção a detalhes do comportamento das pessoas, e com isso, acabo percebendo com facilidade quando alguma coisa está errada, mas não é sexto sentido nem algo paranormal, é simples e pura observação. Acontece que por isso eu sempre pergunto se está tudo bem e sempre ofereço ajuda, na maioria das vezes, antes mesmo de o outro chegar a me dizer que tem alguma coisa errada, e daí vem o problema: eu acabo esperando isso dos outros.
Fico esperando e esperando que alguém perceba que tem algo de errado, mas obviamente, como ninguém é igual a ninguém, as pessoas não percebem, e não estou dizendo que seja por má vontade ou qualquer fator negativo, elas não percebem simplesmente por não prestarem atenção às mesmas coisas que eu, e de tanto esperar acabo guardando pra mim, porque, mesmo que inconscientemente me fica a impressão de que se ninguém perguntou é porque ninguém se importa, impressão essa que passa rápido, mas que não deveria nem existir.
Bom, isso fica como um "mil desculpas" à todos aqueles próximos o suficiente que acabaram, de um modo ou de outro, mesmo que sem perceber, sendo afetados por isso, e uma promessa de que vou melhorar.
E só para finalizar, apesar de doloroso, eu recomendo a ideia à todos: pensem de onde surgiram os seus defeitos... quem sabe não acaba facilitando as coisas?

Roller Coaster

Ela se sentia novamente uma criança, naquele primeira vez numa montanha-russa, cheia de sobressaltos e gritos de medo, mas também cheio de excitação e alegria. Era como se o tempo não existisse, era como se nada mais existisse, além dos dois. Como se o mundo tivesse parado por alguns dias e se submetido às suas vontades. Sem horários, sem compromissos, sem preocupações. Aquilo era tudo o que ela queria. Foi nesses três indescritíveis dias que ela descobriu porque tinha estado tão triste durante o ano, apesar de tudo ter funcionado. Faltava um único ingrediente, sem o qual nada daquilo fazia sentido, faltava o último toque de tempero. Naquele fim de semana ela percebeu que ele era o ingrediente que faltava, aquele que transformava sua vida normal e tranqüila na tal montanha-russa: cheia de incertezas e sobressaltos, extremamente excitante, e, acima de tudo, que definitivamente vale a pena.

Flying

E ela ouvia sempre as mesmas músicas, passava sempre pelos mesmos lugares, via sempre as mesmas pessoas e se sentia cada vez mais vazia. Não sabia mais como era a sensação de conhecer alguém e ter aquela primeira conversa, que determina a continuidade do relacionamento. Sua vida estava muito certa, as incertezas eram tão poucos que às vezes ela até chegava a falar de sua própria vida com um certo tom de tédio na voz. Queria coisas novas, queria experiências, queria tudo aquilo que devia estar vivendo, aquilo que sempre havia sonhado para si mesma. Queria fugir daquela rotina esmagadora. Ver outros lugares, conversar com outras pessoas, conhecer e aprender coisas novas. Sentia uma necessidade imensa de fazer diferente, fazer diferente do que tudo e todos já haviam feito na história da humanidade, e queria fazer imediatamente! Não agüentava mais esperar, esperar o dinheiro e a segurança, esperar a idade, esperar o momento. Para ela o momento era aquele e se este passasse nunca mais haveria outro. Queria sair correndo e fazer as maiores loucuras. Queria viver e parar com essa chatice com a qual estava convivendo. Tudo o que ela queria era voar, voar ao lado dele. Mas já não tinha mais certeza se ele um dia voaria ao lado dela.

Murphy realmente existiu!

Eles todos não foram capazes de prever todos os imprevistos da viagem de volta. Começou tranqüila, gotas de chuva batendo no vidro do carro, música para acalmar os ânimos, colos e cafunés. De repente, seu querido meio de transporte decide que não quer mais engatar, e eis que o sufoco começa. Em quinta eles conseguem chegar em um posto na beira da rodovia, e a solução mais óbvia é: chamamos o seguro e vamos até Campinas guinchados. O seguro atende o telefone, mas a resposta demora, eis que o segundo imprevisto ocorre, a apólice estava vencida. E agora? Decidem tentar a sorte e vão dirigindo até Campinas em quinta. Cada pedágio atravessado era um suspiro de alívio, até que finalmente eles chegam em Sumaré e um dos passageiros desce do carro. Ela deita no banco e dorme um sono pesado, mas não pesado o suficiente para sobreviver ao próximo daqueles imprevistos. Ela acorda com um "PAH", batendo a cabeça no cinto do namorado e levantando assutada com o motorista xingando. O que aconteceu? Bateram no carro! Ela olha para fora e três viaturas da polícia militar fecham um fox alguns metros à frente. Descem policiais armados e um deles manda seguir caminho, e eles o fazem. Já um pouco depois de toda essa confusão param no acostamento para ver o que havia acontecido. Um amassado na traseira e eis que o porta-malas com todos os pertences dentro não abre. Quem bateu no carro? Foi a viatura da polícia! Vamos ligar para a polícia e ver o que fazer então! Eles ligam e descobrem que a solução é voltar ao lugar do acidente, aquele com 12 policiais com arma em punho e decidem que o prejuízo talvez acabasse se tornando maior do que já era. Enfim chegam em casa, sãos e parcialmente salvos. No fim das contas, uma pancada no porta-malas acabou por desemperrá-lo e os pertences foram devidamente retornados. Mas eles com certeza não imaginavam, ao sair de Ribeirão Preto naquele domingo chuvoso, que no fim do dia acabariam parte de uma perseguição policial em plena rodovia Anhangüera. É, Murphy realmente existiu!

(história verídica, diga-se de passagem)

//Stockholm Syndrome - Muse

...


Ela se sentia em uma roda-gigante, dando voltas e voltas e no fim das contas, voltando sempre ao ponto de partida, aquele velho e desgastado ponto de partida. Sentia que às vezes (ou na maioria delas) era simplesmente neurótica demais. Mas nas poucas restantes pecava por falta de neurose. Ela fazia de tudo, até mais do que ela em teoria era capaz de fazer e mesmo assim as coisas não ficavam exatamente como deveriam ser. Às vezes ela desejava ter um robô-diário, igual aquele dos Jetsons que pudesse responder todas as suas perguntas e que de fato conseguisse evaporar seus medos, outras vezes ela tinha certeza absoluta que já o possuía.
O ânimo ia se esvaindo a cada dia que passava, até o dia em que ele voltava como um furacão, e ela fazia e acontecia, mas depois de um tempo, quando percebia que voltara a andar em círculos ele ia embora com o vento novamente.
Queria a fórmula da felicidade eterna, mesmo sabendo que tal coisa não existia. Aliás, queria simplesmente deixar de ser tão exigente, afinal, as coisas estavam quase perfeitas.
Ela queria ser muita coisa que não era, queria saber fazer milhares de outras que não sabia, e queria parecer com milhões de pessoas com as quais simplesmente não parecia e aquilo a consumia por inteiro. Ela se reconstruía eventualmente, e voltava a achar que era uma pessoa ímpar, até aquela velha sensação de roda-gigante voltar à tona.
No fim das contas percebeu que por mais que quisesse, algumas coisas simplesmente não iriam mudar. Ela nunca deixaria de ser a chata/implicante de sempre, nunca deixaria de ser neurótica e completamente sem sentido. Ela sempre seria aquela contradição humana, aquela pequena estranha.

Mundo Novo

Ela caiu de pára-quedas. Mal sabia por onde começar ou como começar, não entendia absolutamente nada sobre aquilo e todos os seus anos de leituras e estudo não a ajudariam naquele momento, não ali. As primeiras semanas foram difíceis, ela chegou a pensar que não serviria para aquilo, mas com o tempo isso mudou. Aos poucos os sorrisos a cativaram. Em poucas semanas já sentia falta daqueles seres pequeninos. Já distingüia choros de fome e de frio, de dor e de birra. Já se importava tanto a ponto de travar a coluna de preocupação. As brincadeiras ficaram cada vez mais divertidas e ela percebeu que apesar de cansativo, era um trabalho extremamente divertido. Onde mais imitaria gatos e sapos e poderia dançar e pular feito criança novamente sem ser julgada por isso? Onde mais encontraria um emprego no qual grande parte se resumia a brincar?
Descobriu por fim que não só agüentaria, como gostava daquilo. Brincar de achei e de o mestre mandou e ninar uma criança a faziam esquecer dos problemas por alguns instantes. Ela percebeu que tendo dois mundos distintos era capaz de se organizar. Quando em um, o outro era completamente esquecido, e vice-e-versa. E este mundo tão diferente e divertido, sempre a fazia sorrir. Nele ela finalmente tornou seu maior sonho realidade. Nele ela finalmente voltou a ser criança e a voar com sua imaginação.

Liberdade?

É decepcionante descobrir que as pessoas das quais você geralmente espera mais diálogo, das quais você espera uma mente aberta e sem preconceitos e sem repressões as opiniões alheias são aquelas das quais você menos recebe isso.
É vergonhoso votar a favor de algo sobre o que você não sabe, concordar ou discordar de uma proposta sem ao menos ter argumentos, válidos ou não, mas formulados por você e não vindos de uma cartilha qualquer.
É estranho que o lugar onde teoricamente as pessoas mais tem espaço e liberdade para se expressar, onde se prega a tal da "liberdade total de expressão", a "igualdade" e a tal da "democracia", seja o lugar no qual todos te reprimem por ir contra a maioria, seja o lugar no qual você é interrompido durante uma fala em debate, que novamente em teoria deveria ser um espaço de discussão democrático, pelo simples fato de ser contra o que a "mesa", ou no caso, os "mais velhos" defendem.
É assustador perceber que algumas pessoas, sem generalizações, não acham que a decisão sobre entregar ou não um trabalho pré-definido deve ser comunicada ao professor pela própria sala encarregada de entregá-lo, mas sim por "pessoas mais experientes", que nunca mais terão aulas com o mesmo, alegar que "a gente vai lá e fala que não deixou vocês virem", como se não possuíssemos vontade própria e fôssemos marionetes, o que no fim das contas, acabamos nos tornando por falta de articulação dos contrários à pseudo-maioria.
Manifestação não é sinônimo de greve. É possível fazer barulho sem se prejudicar e sem prejudicar os que são contra a greve. O que falta é abrir a mente e pensar em todas as alternativas. Já que a bomba é tão grande, ou a maior desde muito tempo, as atitudes corriqueiras não vão funcionar. E aqui contra alguém que disse que: "Não tem necessidade de pensar todas as alternativas". Tem necessidade sim! Sem pensar todas as alternativas, perde-se argumento, perde-se credibilidade. É preciso prever as conseqüências e as ações de resposta, senão, quando elas chegarem, ninguém saberá o que fazer.

Eu acredito em você.

Ele começou a se sentir sozinho, a achar que tudo daria errado e que ele simplesmente não era bom o suficiente. Achou que não era forte o suficiente para conseguir atravessar as barreiras sozinho, mas se fechou. Mal sabia que alguém sempre estaria lá olhando por ele, cuidando e sempre, sempre apoiando, mesmo quando nem ele mesmo percebe.
Existia alguém que acreditava, que apostava e jurava de pés juntos que ele era capaz, mesmo quando sua auto-confiança se abalava, alguém estava lá para confiar por ele.
Esse alguém não precisava de suas palavras para saber o que estava acontecendo, percebia em seus olhos, ele podia até tentar esconder, mas o olhar o desmentia descaradamente. E era bom que isso acontecesse, assim, mesmo sem pedir por ajuda, ele sempre a recebia, de um jeito ou de outro, direta ou indiretamente, mas sempre a recebia, e assim era capaz de passar por todas as pedras e montanhas sem hesitar.
Por que esse alguém o ajudava tanto? Porque o alguém o amava, com todas as suas forças, acima de qualquer discussão e acima de qualquer ofensa feita sem pensar. Amava-o como amava a si próprio, e cuidava como se estivesse cuidando de um pedaço de si, porque afinal, realmente o estava.
Sabia que talvez não tivesse as ferramentas necessárias para ajudar diretamente, mas sempre tinha um abraço e um sorriso disposto a confortar e a renovar as energias, estaria disposto até mesmo a escalar as nuvens e roubar a lua do céu, se isso o fizesse sorrir. E mesmo com a distância, os corações não se separam, permanecem no meio do caminho, fortes e unidos, como sempre foram.
Simplesmente porque ele era uma parcela desse próprio alguém, e esse alguém aqui sabe que a vida nunca seria completa sem ele, ou você, como preferir...

"quero você inteiro e minha metade de volta"

Muito Obrigada

Acho que um post em primeira pessoa não faz mal a ninguém de vez em quando, então vamos a ele.

Os últimos 4 meses me deixaram uma sensação de rapidez e de lentidão, simultaneamente. Foram corridos, dinâmicos, com muito o que fazer e pouco tempo para isso. Mas também foram desanimadores e tristes.
Decepcionei-me com uma pessoa e apesar de saber que preciso aprender a perdoar, não consigo esquecer o que aconteceu, muito menos perdoar, acho que esta nunca mais terá minha confiança. Preocupei-me com alguns, os mesmos de sempre, e continuo preocupada porque apesar de me dizerem que está tudo bem, eu sinto que não é bem assim e vejo ansiedade e medo em seus olhos, mas eles sabem que sempre estarei aqui.
Senti-me sozinha, e ainda sinto muita falta de ter quem abraçar todos os dias, de no mínimo receber aquele sorriso animador que quer dizer: "Vai em frente, você consegue". Sinto falta de pessoas que realmente me conheçam no meu dia-a-dia, aqueles para quem você simplesmente não precisa se explicar, aqueles que sabem seus motivos e pronto.
Sinto falta de conversar, de falar besteiras e cantar o dia todo. Queria que a música estivesse mais presente, mas no atual momento, só a consigo em momentos de transição de um local para outro.
Sinto falta de assistir filmes bobos e comer brigadeiro falando besteira até de madrugada com pessoas queridas, e espero sinceramente que isso mude de agora em diante.
Os tais quatro meses foram rápidos devido a quantidade de trabalho, as milhões de páginas a ler e idéias a aprender, a constante rotina: casa, trabalho, casa, faculdade... Foram felizes graças aos amigos, aqueles de sempre, que me animam só por estar por perto, foram felizes pelo namoro, que apesar de suas complicações naturais, está mais perfeito do que nunca, foram felizes pelas pessoas. Mas foram tristes pelas saudades, pela falta de abraços, de colos e conversas até as 9 da manhã. Falta de pessoas com as quais perdi contato, pela falta de música. Foram tristes pelas milhões de faltas e pelas indecisões também.
Agora, as coisas parecem estar se iluminando, ou pelo menos, os caminhos se tornam mais claros. Ganhei forças para voltar a sonhar, graças aqueles poucos e bons e um em especial.
Acho que a tal chama que estava se apagando voltou a brilhar, mais forte e bonita do que nunca. E por isso só vocês são responsáveis. Muito obrigada.

Trust?


As pessoas podem te surpreender, e na maioria das vezes elas fazem isso.
Ela queria tanto que fosse implicância, que fosse tudo coisa da sua cabeça e que não passasse daquela disputinha entre meninas, mas acabou descobrindo que não era nada disso. A implicância tinha fundamento, e como tinha.
O que mais doeu foi ter confiado. Foi ter passado por cima do seu sexto sentido para dar uma chance de provarem que ele estava completamente errado para variar. Foi ter dito: "eu sei que você nunca faria isso comigo" e ouvido: "é claro que eu nunca faria" e acabar descobrindo que faria sim, não só faria como fez.
A sensação foi a mesma de levar uma facada nas costas, mas foi uma que não vai doer por muito tempo. Acho que por nunca ter confiado plenamente, por sempre ter ouvido aquela vozinha dizendo que ela não era nada daquilo no que você queria acreditar.
Pelo menos ela aprendeu a confiar nos seus instintos de agora em diante. Fará o possível para não alimentar pré-conceitos sobre ninguém, mas também não irá contra seu coração, que até agora, nunca foi capaz de a enganar.

Completely lost

Ela simplesmente não sabia sobre o que escrever, se sentia tão vazia por dentro que simplesmente não sabia como falar sobre isso, a única forma que encontrava para expressar seu vazio era o completo silêncio. Sentia falta das coisas como eram antes, mesmo difíceis. Falta dos amigos, falta do namorado, falta de perder a noção da hora enquanto conversa.
Sente-se deslocada, praticamente uma alien no meio de tanta gente estranha, acha que não combina com eles, alguns são imaturos demais, reclamões demais, sem perspectiva. Outros são sérios e preocupados demais. Ela está cansada de extremismos, quer um meio-termo em que se encaixe. Na realidade, ela já tem seu meio-termo, os seus amigos, mas quer eles ao seu lado de volta. Quer as reuniões semanais e as inúmeras besteiras e coisas sérias sobre o que conversavam. Ela as terá? Com certeza, não na medida que desejaria, mas terá.
Assim ela perceberá que apesar de ser estranha e ímpar, existem outras pessoas tão estranhas e tão ímpares quanto ela, algumas até mais, bem mais, e que apesar do sentimento de vazio, seu coração está mais do que completo. Vocês o completam, todos vocês, e VOCÊ, é o habitante mais espaçoso de todos.

Always

O medo preenchia todo o seu corpo. Tudo havia mudado, e as certezas já não existiam. Até a sua oitava série sempre havia o próximo ano. Até o seu terceiro ano sempre havia o próximo. No terceiro, havia o estágio, e agora? Este estava pré-arranjado, faculdade, trabalho, mas e depois?
Ele estava vendo a pessoa mais importante do mundo ir embora e sentia-se feliz por ela, era seu sonho, mas sentia-se triste também, por não poder compartilhá-lo. As inseguranças voltaram, e todas as besteiras ditas e feitas que chegaram a magoá-la um mínimo que fosse foram lembradas e remoídas por ele. Sentia que se nada daquilo tivesse acontecido não precisaria ter medo, mas sabia que isso não era verdade.
Nessas horas queria ser confiante, quase arrogante, a ponto de achar que não existia pessoa melhor no mundo, mas não era assim. Ele sabia que estava longe de ser um dos melhores, muito longe e isso só fazia seu medo crescer, porque ela era A melhor.
As idéias se confundiam e no fim das contas ele não conseguia chegar a conclusão nenhuma, só continuava com aquele maldito medo que não o deixava em paz. Queria esquartejá-lo e mandá-lo para outra galáxia, e mesmo quando o fazia, o medo voltava.
Descobriu por fim que ele sempre estaria ali, que teria que aprender a conviver com ele, e a confiar, plenamente e cegamente, senão as coisas não funcionariam. Tentaria, com todas as suas forças, porque era uma das coisas pelas quais mais valia lutar. E sabia que dessa vez, não lutaria sozinho, de agora em diante, sempre estariam juntos. SEMPRE.